sábado, 20 de dezembro de 2008

[xi]

"let's start a magazine

to hell with literature
we want something redblooded

lousy with pure
reeking with stark
and fearlessly obscene

but really clean
get what I mean
let's not spoil it
let's make it serious

something authentic and delirious
you know something genuine like a mark
in a toilet

graced with guts and gutted
with grace"

squeeze your nuts and open your face

- - -

[xi]

"fundemos uma revista

que se lixe a literatura
queremos uma coisa com sangue na guelra

piolhosa com pura
fedendo com absoluta
e destemidamente obscena

mas deveras limpa
estão a ver
não estraguemos a coisa
façamos a coisa a sério

qualquer coisa de autêntico e delirante
percebem qualquer coisa de genuíno como uma marca
numa retrete

agraciada com gana e esganada
com graça"

apertem os tomates e abram a cara

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ítaca perdida

A pantera
No Jardin des Plantes, Paris

Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.

O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.

Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. - Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha -
e se apaga quando chega ao coração.


(Rainer Maria Rilke, trad. José Paulo Paes)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

hh

como te
escrevo
escritora?

*



casa do sol

o jardim seco. e a dama bebe
após as sete

acorda às onze. lê jornais. “falam de mim”?
liga para deus e todo mundo.
“ninguém retorna”

confessa ao hóspede,
tem pena de parede
e cachorro de rua
(em sua cama dorme seis)

a criada guarda espingarda e pólvora
(prevenida contra intrusos),
a dama sai à meia-noite
pedindo na estrada que a levem

alguém disse que seu coração é seco
como o jardim. e a dama bebe
após as sete

Marília Kubota

Em: Selva de sentidos, 2008. Edições Água Forte. Curitiba, 2008.

no papel de rascunho, 03/12/08

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

somos compostos de sedimentos lingüísticos

saramago, aqui

domingo, 23 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

todo mundo precisa de beijo

G1: Você já usou a imagem do espantalho e do agrotóxico para explicar a dificuldade de se produzir uma cultura de contestação hoje…

CHACAL: O espantalho é o inimigo à vista. Um alvo fácil e meio trapalhão, como era a ditadura militar. Hoje o mercado é uma espécie de agrotóxico que introjeta o veneno dentro de cada um. Quem é e onde está o inimigo? O sistema, com seus requintes, seus disfarces, é super competente, mega-divertido, ultra-cruel e suicida. “Para a catástrofe, em busca da sobrevivênvia, vivemos”, escreveu Murilo Mendes.


todo mundo precisa de beijo
o ascensorista a vitrinista
a judoca o playboy
o zagueiro o bombeiro o hidrante

o hidrante precisa também
de cuidados água farta
analgésico e dinheiro

todo mundo precisa de dinheiro
o maracanã o pavilhão de são cristóvão
o cristo a pedra da gávea o dois irmãos

quem não precisa de dinheiro?
todo mundo precisa de beijo


http://chacalog.zip.net/
15/11/08

domingo, 16 de novembro de 2008


Visit beards.org!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Se o tradutor é um traidor, o leitor pode ser um assassino - de palavras, é claro. Há sempre a tentação do cinismo, aqui sinônimo de desfaçatez, com que fingimos ler aquilo que não conseguimos ler.

da resenha de José Castello sobre o livro do Ismar Tirelli Neto, aqui.

sábado, 25 de outubro de 2008

epígrafe

o medo amarela
os dentes corrói
todas as tentativas
de nomeá-lo

nada nos assegura
nem ninguém poderá
nos defender: estamos vivos

e se do paraíso estamos longe
cada vez mais longe quero viver
distante, muito distante
do que só é possível no papel.

""

sábado, 18 de outubro de 2008

tradição

minha mãe é quem fala:

vê as pinga que eu tomo
mas não vê os tombo que eu levo

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

fogo fátuo

Sem vontade de seguir com vida, mas perseguido pelo medo da morte, deixou de lado gatilho e deletou seu perfil em suas redes sociais.

mais aqui

sábado, 11 de outubro de 2008

"aprovecha para dar amor"



se tu sabes dar amor
un nuevo amanecer tendráááás

quarta-feira, 9 de julho de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

FASCISMO E COTIDIANO

ROMA

"Depois de quinze longos anos sob várias administrações públicas de partidos de esquerda que mais praticavam filosofia que administração e que faziam de seus contribuintes/munícipes meros patrocinadores de um exaustivo e nada prático programa 'politicamente correto' (o que por pouco não acabou de vez com o turismo local), o povo de Roma, sem medo de ser feliz, acaba de eleger Gianni Alemanno, cujo discurso de campanha o tempo todo jamais cedeu à tentação fácil de mentir sobre o que ele é, sobre o que pensa e ainda o que fará à frente de uma prefeitura como a de Roma.

Roma, que infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, dacadente mesmo, finalmente terá uma chance de renascer fora da poesia utópica que quase a faliu. Que sirva de inspiração aos paulistanos na próxima eleição."

Paulo Boccato (São Carlos, SP)

(publicado no Painel do Leitor, da Folha de São Paulo. Domingo, 4 de maio de 2008)


Mamma Roma (Itália. Dir. Pasolini, 1962)


ROMA

O Sr. Paulo Boccato, no Painel do Leitor do último domingo, ao saudar a eleição do novo prefeito de Roma, escreve que este poderá "finalmente" melhorar a capital italiana, que segundo o Sr. Boccato "infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, decadente mesmo". O leitor (que é de São Carlos) termina o comentário fazendo um chamado aos paulistanos: façam como os romanos.

São Paulo, certamente, também está "infestada" por essa escória - e definitivamente não cheira bem, digam-no as marginais. Portanto, apesar de mendigos, travestis, viciados e prostitutas serem, no final das contas, seres humanos que, como eu e você, vivem vidas específicas dentro de situações que não controlam completamente, talvez seja interessante destituí-los do pouco e incerto espaço que ocupam na cidade e tratá-los como sub-humanos, como gafanhotos que infestam e enfeiam a nossa bela São Paulo. Ocorre-me que a mesma Roma exaltada pelo Sr. Boccato já definiu, nos anos 1930, políticas públicas para o bem-estar comum que passavam por essa dedetização social e que nunca foram propriamente copiadas no Brasil. Copiemo-las, como escreve Boccato, "sem medo de ser feliz". Pela nossa felicidade, façamos como os romanos. Façamos.

(enviada por mim ao mesmo Painel na terça, 06 de maio)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

VELHACARIA

ATÉ QUE UM DIA, O OUTRO

até que um dia, o outro
que com a língua
sorvia
e com saliva
já fazia tranças
nos pêlos nunca antes depilados
do meu digníssimo cu

(em setelinhas)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

TRY IT?

PLEASE DO NOT READ THIS YOU WILL GET KISSED ON THE NEAREST FRIDAY BY THE LOVE OF YOUR LIFE. TOMORROW WILL BE THE BEST DAY OF YOUR LIFE. HOWEVER IF YOU DONT POST THIS COMMENT TO AT LEAST 3 VIDEOS YOU WILL DIE WITHIN 2 DAYS. NOW UV STARTED DIS DONT STOP THIS SO SCARY. xSEND THIS TO OVER 5 VIDEOS IN 143 MINUTES WHEN UR DONE PRESS F6 AND UR CRUSHES NAME WILL APPEAR ON THE SCREEN IN BIG LETTERS. THIS IS SO SCARY CAUSE IT ACTUALLY WORKS. THIS ACTUALLY WORKS! TRY IT?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Nosso Lar

"A morte do corpo não conduz o homem a situações miraculosas, dizia. Todo processo evolutivo implica gradação. Há regiões múltiplas para os desencarnados, como existem planos inúmeros e surpreendentes para as criaturas envolvidas de carne terrestre. Almas e sentimentos, formas e coisas, obedecem a princípios de desenvolvimento natural e hierarquia justa."

(de Nosso Lar, ditado pelo espírito de André Luiz a Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

MEU AMOR SECRETO, MEU AMOR CALADO

para a júlia

passei a tarde pensando nisso, de como existe um cultivo intelectual severo e defensivo no que parte de mim e uma outra escrita mais, não sei?, lírica, mulherzinha, sabe lá.




"- Eu não consigo entender nada do que se passa - meu amor secreto, meu amor calado, não acrescentou, talvez agora desse um suspiro mas não morrese, ou engolisse o dente para rasgar as tripas ou quem sabe cuspi-lo longe convulsivo como numa hemoptise, e sobre o chão vomitar a tarde? a história? a perda? a morte? o medo? a solidão? quem sabe o nojo antigo sedimentado e sem remédio."

(de "Por uma tarde de junho", de Caio Fernando Abreu)

...

(cuspi lolonge
convulsivo comonuma hemoptise)

quem quer o texto efeminado?

amiguinha:
os culhões que pode ter
uma menininha!

(isso pra ficar só no falogismo)



e o quanto pode afetar um texto
cheio de afetações!