na praça da sé às quatro da tarde faz
muito barulho: carros, ônibus,
policiais, mesmo
o ruído dos passos se torna ensurdecedor
(o suspiro em multidão
tende a tornar-se furacão)
o pregador se
exalta, cospe gritos pela
praça -
Deus não diz uma palavra.
tenta, até, mas
é tanto o turbilhão de
grunhidos, de
sons sem comunhão, que
Ele se frustra, se
recolhe.
Sua voz ninguém
escuta. dêem a Deus
uma pastilha!
para que possa rugir e fazer temer simplesmente ao dizer:
"EU SOU".
não adiantaria. o pregador
está exaltado hoje, sente
na sua voz florescer a própria vontade
divina.
Deus se cala e se retira.
implode em pensamento. anseia
por um momento em que
encontrasse ouvido atento
que escutasse o Seu lamento,
Seu impasse:
Por que me abandonaste?
quarta-feira, 25 de abril de 2007
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