[xi]
"let's start a magazine
to hell with literature
we want something redblooded
lousy with pure
reeking with stark
and fearlessly obscene
but really clean
get what I mean
let's not spoil it
let's make it serious
something authentic and delirious
you know something genuine like a mark
in a toilet
graced with guts and gutted
with grace"
squeeze your nuts and open your face
- - -
[xi]
"fundemos uma revista
que se lixe a literatura
queremos uma coisa com sangue na guelra
piolhosa com pura
fedendo com absoluta
e destemidamente obscena
mas deveras limpa
estão a ver
não estraguemos a coisa
façamos a coisa a sério
qualquer coisa de autêntico e delirante
percebem qualquer coisa de genuíno como uma marca
numa retrete
agraciada com gana e esganada
com graça"
apertem os tomates e abram a cara
sábado, 20 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Ítaca perdida
A pantera
No Jardin des Plantes, Paris
Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.
O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.
Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. - Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha -
e se apaga quando chega ao coração.
(Rainer Maria Rilke, trad. José Paulo Paes)
No Jardin des Plantes, Paris
Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.
O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.
Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. - Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha -
e se apaga quando chega ao coração.
(Rainer Maria Rilke, trad. José Paulo Paes)
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
hh
como te
escrevo
escritora?
*

escrevo
escritora?

casa do sol
o jardim seco. e a dama bebe
após as sete
acorda às onze. lê jornais. “falam de mim”?
liga para deus e todo mundo.
“ninguém retorna”
confessa ao hóspede,
tem pena de parede
e cachorro de rua
(em sua cama dorme seis)
a criada guarda espingarda e pólvora
(prevenida contra intrusos),
a dama sai à meia-noite
pedindo na estrada que a levem
alguém disse que seu coração é seco
como o jardim. e a dama bebe
após as sete
Marília Kubota
Em: Selva de sentidos, 2008. Edições Água Forte. Curitiba, 2008.
no papel de rascunho, 03/12/08
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