
sexta-feira, 9 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
FASCISMO E COTIDIANO
ROMA
"Depois de quinze longos anos sob várias administrações públicas de partidos de esquerda que mais praticavam filosofia que administração e que faziam de seus contribuintes/munícipes meros patrocinadores de um exaustivo e nada prático programa 'politicamente correto' (o que por pouco não acabou de vez com o turismo local), o povo de Roma, sem medo de ser feliz, acaba de eleger Gianni Alemanno, cujo discurso de campanha o tempo todo jamais cedeu à tentação fácil de mentir sobre o que ele é, sobre o que pensa e ainda o que fará à frente de uma prefeitura como a de Roma.
Roma, que infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, dacadente mesmo, finalmente terá uma chance de renascer fora da poesia utópica que quase a faliu. Que sirva de inspiração aos paulistanos na próxima eleição."
Paulo Boccato (São Carlos, SP)
(publicado no Painel do Leitor, da Folha de São Paulo. Domingo, 4 de maio de 2008)
ROMA
O Sr. Paulo Boccato, no Painel do Leitor do último domingo, ao saudar a eleição do novo prefeito de Roma, escreve que este poderá "finalmente" melhorar a capital italiana, que segundo o Sr. Boccato "infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, decadente mesmo". O leitor (que é de São Carlos) termina o comentário fazendo um chamado aos paulistanos: façam como os romanos.
São Paulo, certamente, também está "infestada" por essa escória - e definitivamente não cheira bem, digam-no as marginais. Portanto, apesar de mendigos, travestis, viciados e prostitutas serem, no final das contas, seres humanos que, como eu e você, vivem vidas específicas dentro de situações que não controlam completamente, talvez seja interessante destituí-los do pouco e incerto espaço que ocupam na cidade e tratá-los como sub-humanos, como gafanhotos que infestam e enfeiam a nossa bela São Paulo. Ocorre-me que a mesma Roma exaltada pelo Sr. Boccato já definiu, nos anos 1930, políticas públicas para o bem-estar comum que passavam por essa dedetização social e que nunca foram propriamente copiadas no Brasil. Copiemo-las, como escreve Boccato, "sem medo de ser feliz". Pela nossa felicidade, façamos como os romanos. Façamos.
(enviada por mim ao mesmo Painel na terça, 06 de maio)
"Depois de quinze longos anos sob várias administrações públicas de partidos de esquerda que mais praticavam filosofia que administração e que faziam de seus contribuintes/munícipes meros patrocinadores de um exaustivo e nada prático programa 'politicamente correto' (o que por pouco não acabou de vez com o turismo local), o povo de Roma, sem medo de ser feliz, acaba de eleger Gianni Alemanno, cujo discurso de campanha o tempo todo jamais cedeu à tentação fácil de mentir sobre o que ele é, sobre o que pensa e ainda o que fará à frente de uma prefeitura como a de Roma.
Roma, que infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, dacadente mesmo, finalmente terá uma chance de renascer fora da poesia utópica que quase a faliu. Que sirva de inspiração aos paulistanos na próxima eleição."
Paulo Boccato (São Carlos, SP)
(publicado no Painel do Leitor, da Folha de São Paulo. Domingo, 4 de maio de 2008)
ROMA
O Sr. Paulo Boccato, no Painel do Leitor do último domingo, ao saudar a eleição do novo prefeito de Roma, escreve que este poderá "finalmente" melhorar a capital italiana, que segundo o Sr. Boccato "infelizmente está infestada de travestis e mendigos, viciados e prostitutas, suja e cheirando mal, decadente mesmo". O leitor (que é de São Carlos) termina o comentário fazendo um chamado aos paulistanos: façam como os romanos.
São Paulo, certamente, também está "infestada" por essa escória - e definitivamente não cheira bem, digam-no as marginais. Portanto, apesar de mendigos, travestis, viciados e prostitutas serem, no final das contas, seres humanos que, como eu e você, vivem vidas específicas dentro de situações que não controlam completamente, talvez seja interessante destituí-los do pouco e incerto espaço que ocupam na cidade e tratá-los como sub-humanos, como gafanhotos que infestam e enfeiam a nossa bela São Paulo. Ocorre-me que a mesma Roma exaltada pelo Sr. Boccato já definiu, nos anos 1930, políticas públicas para o bem-estar comum que passavam por essa dedetização social e que nunca foram propriamente copiadas no Brasil. Copiemo-las, como escreve Boccato, "sem medo de ser feliz". Pela nossa felicidade, façamos como os romanos. Façamos.
(enviada por mim ao mesmo Painel na terça, 06 de maio)
Assinar:
Postagens (Atom)
