domingo, 30 de setembro de 2007

DO AMOR

Auto-retrato com Juan, de Keith Haring


"Abri o meu jeans e mostrei pra ele o que eu realmente estava sentindo."

(in http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/9_80_62964.shtml)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

"Eu penso, em primeiro lugar, que não se deve nunca temer, em caso algum, a instrumentalização por parte do poder e da sua cultura. É preciso comportar-se como se esta eventualidade perigosa não existisse. O que conta é, acima de tudo, a sinceridade e a necessidade daquilo que se deve dizer. Não é preciso traí-la de nenhuma maneira, e muito menos calando diplomaticamente por 'parti pris'.

Mas penso também que, depois, é preciso saber dar-se conta de quando se foi intrumentalizado, eventualmente, pelo poder integrante. E então, se a própria sinceridade ou necessidade foram subjugadas ou manipuladas, penso que se deve ter mesmo a coragem de abjurá-lo."

(Pier Paolo Pasolini, "Abjurei a 'Trilogia da Vida'", in Últimos Escritos. Coimbra: Fora do Texto, 1995)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

DA RECUSA


"Fazer a crítica é tornar difíceis os gestos fáceis demais"

(Michel Foucault)


***




"

PRIMEIRO: a luta progressista pela democratização expressiva e pela liberalização sexual foi brutalmente superada e desvanecida pela decisão do poder consumista de conceder uma tão vasta quanto falsa tolerância.

SEGUNDO: mesmo a 'realidade' dos corpos inocentes foi violada, manipulada, subjugada pelo poder consumista: mais, tal violência sobre os corpos tornou-se o dado mais macroscópico da nova época humana.

TERCEIRO: as vidas sexuais privadas (como a minha) sofreram o trauma quer da falsa tolerância quer da degradação corpórea, e aquilo que nas fantasias sexuais era dor e alegria, tornou-se desilusão suicida, informe acídia.

"

(Pier Paolo Pasolini, "Abjurei a 'Trilogia da Vida'", in Últimos Escritos. Coimbra: Fora do Texto, 1995)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

AFROBRASILEIRAS (IIb)


"o que aquelas mulheres teriam a dizer sobre Clarice e seu grupo?"





...

Anotações da palestra "Relações raciais na literatura brasileira", proferida pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè (UnB) no evento "Literatura e Conflitos Sociais", realizado na Faculdade de Letras da USP no último 16 de agosto.

(link para a pesquisa: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=2398)


- Bakhtin: "o escritor é aquele que fala no lugar de um outro"

- o silêncio dos marginalizados é coberto pelas vozes que se soprepõem a eles, e às vezes quebrado por uma voz marginalizada que se sobressai

(representação, representatividade)

- as representações da literatura não dão conta da representatividade dos diversos grupos raciais

- literatura brasileira de hoje: "a classe média olhando para a classe média"

- "a boa vontade daquele que vê o outro não substitui a necessidade da voz do outro"

- na pesquisa, entre 200 e tantos autores, apenas 4 não-brancos

- a população idosa quase não aparece nesses romances também

- os brancos são protagonistas e narradores, os negros não têm voz. Somente 5 narradores negros, apenas 1 deles é mulher.

- as histórias se passam predominantemente no universo privado: não há universo do trabalho, nem futebol, carnaval ou televisão nesses romances. (Negros, quando aparecem, eles sim estão ligados ao universo do trabalho)

- brancxs: homens são escritores, mulheres são donas-de-casa; negrxs: homens são bandidos, mulheres são empregadas domésticas e prostitutas

- relações entre negros e brancos: violência (do negro para com o branco)

- o racismo não é tema da literatura contemporânea

domingo, 2 de setembro de 2007

Falas com arcanjos enquanto cagas.

Caio Fernando Abreu, "Dodecaedro", in Triângulo das águas

sábado, 1 de setembro de 2007

palavras
correndo:

o tempo suspenso

por ganchos de açougue
sorvendo lento
mergulho no
sangue.

orgulho no
blog.

a pele plástica das palavras
conserva-se melhor na
leitura afiada, dedicada, despojada...

ou rápida.

tanto faz.

pois na passagem (qualquer que seja) dos olhares
aquilo que o texto nunca teve,
ele já não tem mais.