segunda-feira, 28 de abril de 2008

VELHACARIA

ATÉ QUE UM DIA, O OUTRO

até que um dia, o outro
que com a língua
sorvia
e com saliva
já fazia tranças
nos pêlos nunca antes depilados
do meu digníssimo cu

(em setelinhas)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

TRY IT?

PLEASE DO NOT READ THIS YOU WILL GET KISSED ON THE NEAREST FRIDAY BY THE LOVE OF YOUR LIFE. TOMORROW WILL BE THE BEST DAY OF YOUR LIFE. HOWEVER IF YOU DONT POST THIS COMMENT TO AT LEAST 3 VIDEOS YOU WILL DIE WITHIN 2 DAYS. NOW UV STARTED DIS DONT STOP THIS SO SCARY. xSEND THIS TO OVER 5 VIDEOS IN 143 MINUTES WHEN UR DONE PRESS F6 AND UR CRUSHES NAME WILL APPEAR ON THE SCREEN IN BIG LETTERS. THIS IS SO SCARY CAUSE IT ACTUALLY WORKS. THIS ACTUALLY WORKS! TRY IT?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Nosso Lar

"A morte do corpo não conduz o homem a situações miraculosas, dizia. Todo processo evolutivo implica gradação. Há regiões múltiplas para os desencarnados, como existem planos inúmeros e surpreendentes para as criaturas envolvidas de carne terrestre. Almas e sentimentos, formas e coisas, obedecem a princípios de desenvolvimento natural e hierarquia justa."

(de Nosso Lar, ditado pelo espírito de André Luiz a Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

MEU AMOR SECRETO, MEU AMOR CALADO

para a júlia

passei a tarde pensando nisso, de como existe um cultivo intelectual severo e defensivo no que parte de mim e uma outra escrita mais, não sei?, lírica, mulherzinha, sabe lá.




"- Eu não consigo entender nada do que se passa - meu amor secreto, meu amor calado, não acrescentou, talvez agora desse um suspiro mas não morrese, ou engolisse o dente para rasgar as tripas ou quem sabe cuspi-lo longe convulsivo como numa hemoptise, e sobre o chão vomitar a tarde? a história? a perda? a morte? o medo? a solidão? quem sabe o nojo antigo sedimentado e sem remédio."

(de "Por uma tarde de junho", de Caio Fernando Abreu)

...

(cuspi lolonge
convulsivo comonuma hemoptise)

quem quer o texto efeminado?

amiguinha:
os culhões que pode ter
uma menininha!

(isso pra ficar só no falogismo)



e o quanto pode afetar um texto
cheio de afetações!

terça-feira, 8 de abril de 2008

sábado, 29 de março de 2008

MONUMENTO DE CULTURA

"Os jovens gregos aprendiam a ler com Homero. O texto era apresentado sob a forma de rolos - em latim, volumina (daí o termo 'volume') -, pouco cômodos de manusear. Por isso, utilizavam-se, com freqüência, os serviços de um escravo."

(em O mundo de Homero, de Pierre Vidal-Naquet. Trad. Jônatas Batista Neto)






escrita como violência

quinta-feira, 27 de março de 2008

A galinha tem dois lados: o de fora e o de dentro. Se tiramos o lado de fora, vemos o de dentro. Se tiramos o de dentro, vemos sua alma.

de Viver a vida, de Jean-Luc Godard



segunda-feira, 24 de março de 2008

Conversa de Senhoras

Viver a Vida


GODARD
AI O GODARD
AI AI O GOD
ARD O GODAR
D O GOD
AI O GOZAR
DO GODARD DO AI AI
O GO DAR PRO GO
DARDENGORDARDOGO
DAR AI AI O GO
DAR O GODARD O
GODARD GODAR
DO GOD
ARD O
GOD
AR
AI

sábado, 22 de março de 2008

Pequena História da Linguagem

“se a linguagem exprime, não o faz na medida em que imite ou reduplique as coisas, mas na medida em que manifesta e traduz o querer fundamental daqueles que falam”




palavrararasconosciutavermelha
no texto incolor
cujacormanifestaolhosdaltônicosdoleitor


(rugidomudo.)


O leão na floresta ruge alto e forte. Gazelas, abutres, girafas: todos ouvem seu rugir. Até onde o ouvido ouve, lá é reino do leão.

(Além, porém, o leão não sabe.)

Leão RUGE e a relva vibra com seu bafo, som tão alto ensurdece os prados planícies da savana, som que não encontra parede ou montanha.

O leão não caça, ele só come. Não pare, apenas prole. Mesmo medo mete pouco – mas nenhum outro bicho faz o som que ele faz. E bicho outro algum se coroa como rei dos animais. Disso vivem os leões: da tanta altissonância.

E os humanos, quando nascem, berram o quanto podem. Depois a gente reduz o som, mas, se você for ver, no fundo o berro é o mesmo, a superfície é que difere. Alguns povos desenvolveram a escrita, que é quando o berro, que virou sussurro, vira por fim silêncio. No fundo é o mesmo berro. Difere o modo de articulá-lo, e isso vai do quanto você está empenhado

em comer o seu interlocutor.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Uma idéia

O Joan Brossa se fingia de louco manso para que a família o sustentasse financeiramente e ele pudesse se dedicar exclusivamente à poesia.


terça-feira, 18 de março de 2008

Admirável mundo ovo

"em vez de fazer canja , esperou a galinha botar um ovo e tec-tec frishhhhh"



novidades em

http://setelinhas.blogspot.com

cocó!

segunda-feira, 17 de março de 2008

EXERCÍCIOS SOBRE FIGO

(para Caio Fernando Abreu)




I

figo é a flor
no fruto temperado
com veneno
que eu devoro,
figo após figo,
e fica a caixa vazia olhando
pra mim


II

figo é a flor
no fruto aberto que
desperta e pulsa e eu
devoto sugo o
sumo que jorra após romper-se a
casca regada de
veneno


III

figo é a flor que eu
falo em fuga enquanto o
sulco estende o sumo ao
veneno que furto e
devoro
abrupto

PREMIÈRE

First leçon de français

1. Respondez:

a) Quelle est ta profession?
R: Je ne sais pas.

b) Comment tu t'appelles?
R: Je ne sais pas.

c) Qui es-tu?
R: Je ne sais pas.

Trés bien!

Second leçon de français

1. Traduire ce poem de Jacques Prévert:


Déjeuner du Matin

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petit cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré.


...


Escrivez ta tradution ici: ...............................................
..........................................................................
..........................................................................
..........................................................................
..........................................................................
..........................................................................

...

Trés bien!

2. Allors
puoi descanser
et pleurer
pour the milk
derramé,
mon petit!

domingo, 16 de março de 2008

às vezes você é muito velha pra dançar um funk
muito nova pra ficar em casa tricotando um câncer
é muito velha pra se declarar numa carta
muito nova pra ficar pensando tanto

eu ando atropelando

convido uns velhos pra mascar chicletes
no paraíso todos voltam a ter dentes
e reúno a mocidade pra tomar um chá
fingindo que ainda não vi o suficiente


(Angélica Freitas, aqui. Pra mim e pro Otavio)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.

Apocalipse, 9:6

domingo, 17 de fevereiro de 2008

... E, é claro, atrocidades que não estejam garantidas em nossa mente por imagens fotográficas bem conhecidas, ou das quais simplesmente temos poucas imagens - o extermínio total do povo hereró, na Namíbia, decretado pela admnistração colonial alemã, em 1904; o ataque japonês contra a China, em especial o massacre de quase 400 mil pessoas e o estupro de 80 mil chinesas em dezembro de 1937, o chamado Estupro de Nanquim; o estupro de cerca de 130 mil mulheres ou meninas (das quais 10 mil cometeram suicídio) pelos soldados soviéticos vitoriosos, deixados à solta por seus oficiais comandantes, em Berlim, em 1945 -, parecem mais remotas. Essas são lembranças que poucos se deram ao trabalho de reivindicar.




(Susan Sontag, Diante da dor dos outros, trad. Rubens Figueiredo)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

MORTOS QUE ANDAM

Meu Deus, os mortos que andam!
Que nos seguem os passos
e não falam.
Aparecem no bar, no teatro, na biblioteca.
Não nos fitam,
não nos interrogam,
não nos cobram nada.
Acompanham, fiscalizam
nosso caminho e jeito de caminhar,
nossa incômoda sensação de estar vivos
e sentir que nos seguem, nos cercam,
imprescritíveis. E não falam.


(Carlos Drummond de Andrade, em Corpo)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008



.

VISÃO DE SÃO PAULO

são paulo
em cinqüenta anos
que bomba
os teus destroços?

tuas ruas
desasfaltadas
nem sombra os teus
presídios

- voa
sobre toda tralha
um helicóptero