“se a linguagem exprime, não o faz na medida em que imite ou reduplique as coisas, mas na medida em que manifesta e traduz o querer fundamental daqueles que falam”

palavrararasconosciutavermelha
no texto incolor
cujacormanifestaolhosdaltônicosdoleitor
(rugidomudo.)
O leão na floresta ruge alto e forte. Gazelas, abutres, girafas: todos ouvem seu rugir. Até onde o ouvido ouve, lá é reino do leão.
(Além, porém, o leão não sabe.)
Leão RUGE e a relva vibra com seu bafo, som tão alto ensurdece os prados planícies da savana, som que não encontra parede ou montanha.
O leão não caça, ele só come. Não pare, apenas prole. Mesmo medo mete pouco – mas nenhum outro bicho faz o som que ele faz. E bicho outro algum se coroa como rei dos animais. Disso vivem os leões: da tanta altissonância.
E os humanos, quando nascem, berram o quanto podem. Depois a gente reduz o som, mas, se você for ver, no fundo o berro é o mesmo, a superfície é que difere. Alguns povos desenvolveram a escrita, que é quando o berro, que virou sussurro, vira por fim silêncio. No fundo é o mesmo berro. Difere o modo de articulá-lo, e isso vai do quanto você está empenhado
em comer o seu interlocutor.
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