sábado, 29 de março de 2008

MONUMENTO DE CULTURA

"Os jovens gregos aprendiam a ler com Homero. O texto era apresentado sob a forma de rolos - em latim, volumina (daí o termo 'volume') -, pouco cômodos de manusear. Por isso, utilizavam-se, com freqüência, os serviços de um escravo."

(em O mundo de Homero, de Pierre Vidal-Naquet. Trad. Jônatas Batista Neto)






escrita como violência

quinta-feira, 27 de março de 2008

A galinha tem dois lados: o de fora e o de dentro. Se tiramos o lado de fora, vemos o de dentro. Se tiramos o de dentro, vemos sua alma.

de Viver a vida, de Jean-Luc Godard



segunda-feira, 24 de março de 2008

Conversa de Senhoras

Viver a Vida


GODARD
AI O GODARD
AI AI O GOD
ARD O GODAR
D O GOD
AI O GOZAR
DO GODARD DO AI AI
O GO DAR PRO GO
DARDENGORDARDOGO
DAR AI AI O GO
DAR O GODARD O
GODARD GODAR
DO GOD
ARD O
GOD
AR
AI

sábado, 22 de março de 2008

Pequena História da Linguagem

“se a linguagem exprime, não o faz na medida em que imite ou reduplique as coisas, mas na medida em que manifesta e traduz o querer fundamental daqueles que falam”




palavrararasconosciutavermelha
no texto incolor
cujacormanifestaolhosdaltônicosdoleitor


(rugidomudo.)


O leão na floresta ruge alto e forte. Gazelas, abutres, girafas: todos ouvem seu rugir. Até onde o ouvido ouve, lá é reino do leão.

(Além, porém, o leão não sabe.)

Leão RUGE e a relva vibra com seu bafo, som tão alto ensurdece os prados planícies da savana, som que não encontra parede ou montanha.

O leão não caça, ele só come. Não pare, apenas prole. Mesmo medo mete pouco – mas nenhum outro bicho faz o som que ele faz. E bicho outro algum se coroa como rei dos animais. Disso vivem os leões: da tanta altissonância.

E os humanos, quando nascem, berram o quanto podem. Depois a gente reduz o som, mas, se você for ver, no fundo o berro é o mesmo, a superfície é que difere. Alguns povos desenvolveram a escrita, que é quando o berro, que virou sussurro, vira por fim silêncio. No fundo é o mesmo berro. Difere o modo de articulá-lo, e isso vai do quanto você está empenhado

em comer o seu interlocutor.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Uma idéia

O Joan Brossa se fingia de louco manso para que a família o sustentasse financeiramente e ele pudesse se dedicar exclusivamente à poesia.


terça-feira, 18 de março de 2008

Admirável mundo ovo

"em vez de fazer canja , esperou a galinha botar um ovo e tec-tec frishhhhh"



novidades em

http://setelinhas.blogspot.com

cocó!

segunda-feira, 17 de março de 2008

EXERCÍCIOS SOBRE FIGO

(para Caio Fernando Abreu)




I

figo é a flor
no fruto temperado
com veneno
que eu devoro,
figo após figo,
e fica a caixa vazia olhando
pra mim


II

figo é a flor
no fruto aberto que
desperta e pulsa e eu
devoto sugo o
sumo que jorra após romper-se a
casca regada de
veneno


III

figo é a flor que eu
falo em fuga enquanto o
sulco estende o sumo ao
veneno que furto e
devoro
abrupto

PREMIÈRE

First leçon de français

1. Respondez:

a) Quelle est ta profession?
R: Je ne sais pas.

b) Comment tu t'appelles?
R: Je ne sais pas.

c) Qui es-tu?
R: Je ne sais pas.

Trés bien!

Second leçon de français

1. Traduire ce poem de Jacques Prévert:


Déjeuner du Matin

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petit cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré.


...


Escrivez ta tradution ici: ...............................................
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..........................................................................

...

Trés bien!

2. Allors
puoi descanser
et pleurer
pour the milk
derramé,
mon petit!

domingo, 16 de março de 2008

às vezes você é muito velha pra dançar um funk
muito nova pra ficar em casa tricotando um câncer
é muito velha pra se declarar numa carta
muito nova pra ficar pensando tanto

eu ando atropelando

convido uns velhos pra mascar chicletes
no paraíso todos voltam a ter dentes
e reúno a mocidade pra tomar um chá
fingindo que ainda não vi o suficiente


(Angélica Freitas, aqui. Pra mim e pro Otavio)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.

Apocalipse, 9:6

domingo, 17 de fevereiro de 2008

... E, é claro, atrocidades que não estejam garantidas em nossa mente por imagens fotográficas bem conhecidas, ou das quais simplesmente temos poucas imagens - o extermínio total do povo hereró, na Namíbia, decretado pela admnistração colonial alemã, em 1904; o ataque japonês contra a China, em especial o massacre de quase 400 mil pessoas e o estupro de 80 mil chinesas em dezembro de 1937, o chamado Estupro de Nanquim; o estupro de cerca de 130 mil mulheres ou meninas (das quais 10 mil cometeram suicídio) pelos soldados soviéticos vitoriosos, deixados à solta por seus oficiais comandantes, em Berlim, em 1945 -, parecem mais remotas. Essas são lembranças que poucos se deram ao trabalho de reivindicar.




(Susan Sontag, Diante da dor dos outros, trad. Rubens Figueiredo)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

MORTOS QUE ANDAM

Meu Deus, os mortos que andam!
Que nos seguem os passos
e não falam.
Aparecem no bar, no teatro, na biblioteca.
Não nos fitam,
não nos interrogam,
não nos cobram nada.
Acompanham, fiscalizam
nosso caminho e jeito de caminhar,
nossa incômoda sensação de estar vivos
e sentir que nos seguem, nos cercam,
imprescritíveis. E não falam.


(Carlos Drummond de Andrade, em Corpo)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008



.

VISÃO DE SÃO PAULO

são paulo
em cinqüenta anos
que bomba
os teus destroços?

tuas ruas
desasfaltadas
nem sombra os teus
presídios

- voa
sobre toda tralha
um helicóptero

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ANOTAÇÕES EM DIÁLOGO

"Ser legitimado pelo Estado é aceitar os termos de legitimação oferecidos e descobrir que o senso público e reconhecível da pessoalidade é fundamentalmente dependente do léxico dessa legitimação. (...) O debate sobre casamento gay se dá nessa lógica, pois reduz-se quase imediatamente à questão sobre se o casamento deve ser legitimamente ampliado a homossexuais, e isso significa que o campo sexual é circunscrito de tal modo que a sexualidade é pensada em termos de aquisição de legitimidade."

- Judith Butler, aqui -

...

"O movimento brusco de unificação, iniciado desde os primórdios do período capitalista em meados do século XVI, é também um movimento de diversificação que consagra o princípio da unidade e diversidade da história. Tal movimento atinge o seu ápice neste moribundo período tecnológico, quando cada nação só parece poder encontrar o seu destino na forma de um Estado.

A Nação-Estado é a formação socioeconômica por excelência, não menos pela necessidade e complexidade das relações exteriores que pelas necessidades emergentes das sociedades locais. Neste mundo de agudas contradições, a proliferação dos Estados é uma necessidade para a expansão do imperialismo em sua fase atual, porque ele institucionaliza e facilita a penetração. A Nação-Estado é em grande parte consolidada e, por vezes, o resultados das contradições internas criadas pelo capitalismo tecnológico, notadamente por aspirações que a exacerbação da publicidade e do comércio exterior faz nascer, como a diversificação do consumo, desde a alimentação até a educação."

- Milton Santos, "O presente como espaço", in Pensando o Espaço do Homem -

domingo, 6 de janeiro de 2008

UMA VIDA

Eu vou casar. Ter uma casa, um filho, uma vida. Feliz, comprida - e não interrompida.


...


Summertime, de Edward Hopper

http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

tudo o que
quero vislumbro
como não.
fabrico as
coisas que -
acontecerão?
como a grande
coisa que
já quis e
foi a flor do que
eu faria

mas não fiz

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

La existencia no es otra cosa que la inserción del tiempo en la carne.

(Francisco Brines, em prefácio aos poemas de Domingo Rivero publicados em Yo, a mi cuerpo - lembrança do Fabinho em Buenos Aires em 2007. Lembrança projetada para 2008. Poemas de morte, amizade e móveis de madeira. Projetos.)

domingo, 25 de novembro de 2007

Como proponho no texto "O gozo do ateu", acredito que o ponto de partida do ateísmo de Sade é o desamparo humano. Ninguém nasce livre; o homem, lançado ao mundo como qualquer outro animal, está "acorrentado à natureza", sujeitando-se como um "escravo" às suas leis; "hoje homem, amanhã verme, depois de amanhã mosca" – tal é a condenação que paira sobre a "infeliz humanidade". Ciente de que as religiões nascem desse triste destino, o devasso sadiano prefere admiti-lo sem escapatórias, procurando superar esse desamparo primordial pela via do erotismo. A volúpia, ensina o libertino, é o único modo que a natureza oferece para atenuar o sofrimento humano.

(ler mais)

domingo, 18 de novembro de 2007

DA VELHICE


"Quanto mais se vive maior é a chance de morrer."


(de um médico, aqui)



"Viver é muito perigoso."


(de um outro médico, em outro lugar)