sábado, 16 de setembro de 2006

"eles, com suas infinitas conversas inúteis, com seus gestos excessivamente afeminados, artificiais, grotescos, rebaixando tudo, corrompendo tudo, até a autêntica fúria do que padece o terror, até o abusado ritual das patadas, das coronhadas nas nádegas, das bofetadas; até a cerimônia de um fuzilamento se convertia, se transformava para eles em um excesso de palavras rebuscadas, de poses, de brincadeiras; eles, reduzindo a dimensão da tragédia, da eterna tragédia da submissão, de sua eterna desgraça, à simples estridência de um barulho, tendo como estandarte a chacota, o riso, o marcado mexer de pestanas, os gestos ridículos, a mão como asa, a paródia vulgar de alguma dança clássica; eles, pintando o rosto com o que aparecesse, improvisando perucas com franja de palha e folhas de pita, remendando minissaias com sacos de juta habilmente subtraídos de armazéns custodiados, e na noite confundindo suas insatisfações, gritando, soltando sua estúpida gíria, seus estúpidos dotes exibicionistas, suas máscaras que já, de tanto serem usadas, haviam passado a ser seus próprios rostos..."

("Arturo, a estrela mais brilhante", de Reinaldo Arenas
In A Velha Rosa, trad. Silvia Costa. Record, 1996)



Um comentário:

Anônimo disse...

Palhaço