quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
(Susan Sontag, Diante da dor dos outros, trad. Rubens Figueiredo)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Meu Deus, os mortos que andam!
Que nos seguem os passos
e não falam.
Aparecem no bar, no teatro, na biblioteca.
Não nos fitam,
não nos interrogam,
não nos cobram nada.
Acompanham, fiscalizam
nosso caminho e jeito de caminhar,
nossa incômoda sensação de estar vivos
e sentir que nos seguem, nos cercam,
imprescritíveis. E não falam.
(Carlos Drummond de Andrade, em Corpo)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
"Ser legitimado pelo Estado é aceitar os termos de legitimação oferecidos e descobrir que o senso público e reconhecível da pessoalidade é fundamentalmente dependente do léxico dessa legitimação. (...) O debate sobre casamento gay se dá nessa lógica, pois reduz-se quase imediatamente à questão sobre se o casamento deve ser legitimamente ampliado a homossexuais, e isso significa que o campo sexual é circunscrito de tal modo que a sexualidade é pensada em termos de aquisição de legitimidade."
- Judith Butler, aqui -
...
"O movimento brusco de unificação, iniciado desde os primórdios do período capitalista em meados do século XVI, é também um movimento de diversificação que consagra o princípio da unidade e diversidade da história. Tal movimento atinge o seu ápice neste moribundo período tecnológico, quando cada nação só parece poder encontrar o seu destino na forma de um Estado.
A Nação-Estado é a formação socioeconômica por excelência, não menos pela necessidade e complexidade das relações exteriores que pelas necessidades emergentes das sociedades locais. Neste mundo de agudas contradições, a proliferação dos Estados é uma necessidade para a expansão do imperialismo em sua fase atual, porque ele institucionaliza e facilita a penetração. A Nação-Estado é em grande parte consolidada e, por vezes, o resultados das contradições internas criadas pelo capitalismo tecnológico, notadamente por aspirações que a exacerbação da publicidade e do comércio exterior faz nascer, como a diversificação do consumo, desde a alimentação até a educação."
- Milton Santos, "O presente como espaço", in Pensando o Espaço do Homem -
domingo, 6 de janeiro de 2008
Eu vou casar. Ter uma casa, um filho, uma vida. Feliz, comprida - e não interrompida.

http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
domingo, 25 de novembro de 2007
(ler mais)
domingo, 18 de novembro de 2007
"Quanto mais se vive maior é a chance de morrer."
(de um médico, aqui)
"Viver é muito perigoso."
(de um outro médico, em outro lugar)
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
...
"
Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?
"
(Hilda Hilst, Do Desejo)
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
...
"O que Matilde estará fazendo hoje? Será que chorou? Eis a primeira pergunta que Paris se coloca já há dez meses. Deve possuir um singular poder aquele que consegue deixar como que em suspenso uma cidade que em geral não se espanta com nada, que não se comove com o escândalo, que esquece glórias e vergonhas, e não reconhece mais amanhã o grande herói de hoje... Para a geração moderna, o folhetim do sr. Eugène Sue está como a charada ou o enigma do Mercure para os leitores do século XVIII. Trata-se de saber o que farão no próximo capítulo Gontran ou Lugarto. Eis a grande questão do século XIX e não mais o to be or not to be do Hamlet."
Téophile Gautier, citado por Marlise Meyer em Folhetim: uma história (SP: Companhia das Letras, 1996. p. 72)
domingo, 4 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Never resign to possessing a short penis... Make it longer!
Forget about failures in bedroom. With you new bigger dic'k you're doomed to success!
Become a tireless lover with your new big and hard dic'k
Have you ever felt a kiss of a womb? With your new big rob you'll feel it!
Make sure you wont be ashame when you slap her in da face with your dick!
Voluptuous hotties, fresh adorable girls, horny moms - all love big diks!

domingo, 30 de setembro de 2007

"Abri o meu jeans e mostrei pra ele o que eu realmente estava sentindo."
(in http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/9_80_62964.shtml)
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Mas penso também que, depois, é preciso saber dar-se conta de quando se foi intrumentalizado, eventualmente, pelo poder integrante. E então, se a própria sinceridade ou necessidade foram subjugadas ou manipuladas, penso que se deve ter mesmo a coragem de abjurá-lo."
(Pier Paolo Pasolini, "Abjurei a 'Trilogia da Vida'", in Últimos Escritos. Coimbra: Fora do Texto, 1995)
terça-feira, 11 de setembro de 2007
"Fazer a crítica é tornar difíceis os gestos fáceis demais"
(Michel Foucault)

"
PRIMEIRO: a luta progressista pela democratização expressiva e pela liberalização sexual foi brutalmente superada e desvanecida pela decisão do poder consumista de conceder uma tão vasta quanto falsa tolerância.
SEGUNDO: mesmo a 'realidade' dos corpos inocentes foi violada, manipulada, subjugada pelo poder consumista: mais, tal violência sobre os corpos tornou-se o dado mais macroscópico da nova época humana.
TERCEIRO: as vidas sexuais privadas (como a minha) sofreram o trauma quer da falsa tolerância quer da degradação corpórea, e aquilo que nas fantasias sexuais era dor e alegria, tornou-se desilusão suicida, informe acídia.
"
(Pier Paolo Pasolini, "Abjurei a 'Trilogia da Vida'", in Últimos Escritos. Coimbra: Fora do Texto, 1995)
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
"o que aquelas mulheres teriam a dizer sobre Clarice e seu grupo?"

...
Anotações da palestra "Relações raciais na literatura brasileira", proferida pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè (UnB) no evento "Literatura e Conflitos Sociais", realizado na Faculdade de Letras da USP no último 16 de agosto.
(link para a pesquisa: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=2398)
- Bakhtin: "o escritor é aquele que fala no lugar de um outro"
- o silêncio dos marginalizados é coberto pelas vozes que se soprepõem a eles, e às vezes quebrado por uma voz marginalizada que se sobressai
(representação, representatividade)
- as representações da literatura não dão conta da representatividade dos diversos grupos raciais
- literatura brasileira de hoje: "a classe média olhando para a classe média"
- "a boa vontade daquele que vê o outro não substitui a necessidade da voz do outro"
- na pesquisa, entre 200 e tantos autores, apenas 4 não-brancos
- a população idosa quase não aparece nesses romances também
- os brancos são protagonistas e narradores, os negros não têm voz. Somente 5 narradores negros, apenas 1 deles é mulher.
- as histórias se passam predominantemente no universo privado: não há universo do trabalho, nem futebol, carnaval ou televisão nesses romances. (Negros, quando aparecem, eles sim estão ligados ao universo do trabalho)
- brancxs: homens são escritores, mulheres são donas-de-casa; negrxs: homens são bandidos, mulheres são empregadas domésticas e prostitutas
- relações entre negros e brancos: violência (do negro para com o branco)
- o racismo não é tema da literatura contemporânea
domingo, 2 de setembro de 2007
sábado, 1 de setembro de 2007
correndo:
o tempo suspenso
por ganchos de açougue
sorvendo lento
mergulho no
sangue.
orgulho no
blog.
a pele plástica das palavras
conserva-se melhor na
leitura afiada, dedicada, despojada...
ou rápida.
tanto faz.
pois na passagem (qualquer que seja) dos olhares
aquilo que o texto nunca teve,
ele já não tem mais.

